Cross Country Collaborative Learning Workshop

Construindo caminhos para o financiamento sustentável das DNTs na África Subsaariana

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Experiências dos países e oportunidades emergentes

Por Derick Ngaira, Maria Jose Pastor e Leah Ewald

 

Baixe o relatório do workshop

 

"Todos têm algo a aprender e todos têm algo a compartilhar."

 

Esse lembrete deu o tom do primeiro workshop regional de aprendizado entre países da Financing Accelerator Network for NCDs (FAN), realizado nos dias 25 e 26 de agosto de 2025, em Nairóbi, Quênia. Durante dois dias, líderes governamentais, especialistas técnicos e parceiros de sete países da África Subsaariana (Camarões, Gana, Quênia, Malaui, Ruanda, Somália e Uganda) se reuniram para trocar lições, refletir sobre desafios comuns e explorar formas inovadoras de fortalecer os mecanismos de financiamento para doenças não transmissíveis (DNTs).

Mobilização de Recursos Internos em Ação

Uma conclusão central foi clara: mais recursos públicos devem fluir para a saúde e, especificamente, para as DNTs, de maneiras práticas, específicas ao contexto, complementares e estruturadas para evitar a fragmentação.

Os países membros da FAN já estão implementando soluções criativas para expandir os recursos para a saúde e as DNTs, incluindo:

  • Quênia: Uma visita ao Kenyatta National Referral and Teaching Hospital mostrou como um empréstimo sindicalizado do China Exim Bank está ajudando a expandir a capacidade do hospital. O Quênia também compartilhou dois mecanismos de financiamento inovadores, o Fundo de Controle do Tabaco e o Fundo de Emergência e Doenças Críticas.
  • Gana: estabelecimento do Fundo Fiduciário Médico de Gana, parcialmente financiado pela isenção da Taxa Nacional de Seguro de Saúde.
  • Somália: As comunidades contribuem com 2,5% da renda familiar para fundos sociais que apoiam tanto a saúde quanto a educação.
  • Uganda: Grupos de apoio a pacientes reúnem economias para despesas de saúde e estão testando esquemas de seguro em nível distrital, financiados por contribuições de US$ 1 por pessoa.
  • Ruanda: Trinta e cinco por cento da base de receita do seguro de saúde com base na comunidade (CBHI) provém de multas de trânsito, penalidades por acidentes, contribuições de seguro e taxas de telecomunicações, o que permite a expansão dos pacotes de benefícios.
  • Malawi: Explorando a criação de um fundo nacional de saúde, com foco na melhor forma de incluir contribuições do setor informal.
  • Camarões: Avançar na defesa de novos impostos sobre produtos como tabaco e álcool, ao mesmo tempo em que fortalece seus sistemas de informações de saúde para rastrear melhor os gastos com DNTs e melhorar a prestação de contas.
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Aproveitando a inovação e a persistência: Lessons from the Private Sector

O workshop também criou espaço para explorar como o setor privado e os governos podem trabalhar juntos para fortalecer o financiamento da saúde para as DNTs. A PharmAccess, uma organização que utiliza a tecnologia para melhorar os sistemas de saúde na África e membro do FAN Technical Advisory Group, compartilhou como as ferramentas digitais, como contas de poupança médica, plataformas de atendimento virtual e aplicativos de transparência voltados para o paciente, estão ajudando a criar confiança e melhorar o acesso.

Como perguntou um participante, "Por que eu deveria contribuir se não estou recebendo serviços de qualidade?"

 

Essas inovações estão oferecendo respostas práticas, tornando os gastos mais transparentes, combinando atendimento virtual e presencial e recompensando os provedores pela qualidade.

O Conselho de Previdência Social de Ruanda acrescentou outro exemplo, descrevendo como cinco anos de colaboração constante com o Ministério da Fazenda acabaram por garantir recursos destinados à saúde. Juntas, essas histórias destacaram que as soluções sustentáveis geralmente surgem na interseção de inovação e persistência, e que o progresso depende de parcerias que abrangem vários setores.

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Lições e desafios compartilhados em toda a região

Apesar dos diversos contextos, os delegados observaram desafios comuns: altos custos de medicamentos e tecnologia, sistemas de dados fracos, baixa priorização orçamentária e lacunas na alocação. Ao mesmo tempo, eles também destacaram práticas promissoras.

Por exemplo, o Quênia está explorando impostos de saúde sobre bebidas açucaradas. Gana está aproveitando seu Esquema Nacional de Seguro de Saúde. Uganda está apresentando casos de investimento ao parlamento e testando modelos de financiamento comunitário. A Somália está testando um esquema de seguro de contribuição comunitária, com base em práticas culturais e religiosas, incluindo 2,5% de contribuições domésticas. Malaui está considerando impostos com destinação específica, Ruanda introduziu um sistema de acompanhamento de recursos em tempo real, enquanto Camarões está trabalhando para fortalecer sua defesa do orçamento.

Como enfatizou Labram Musa, diretor executivo da Vision for Accelerated Sustainable Development: "Os governos devem aumentar as alocações para as DNTs, não apenas na política, mas na prática. Em Gana, estamos defendendo que pelo menos 50% da receita arrecadada com impostos sobre tabaco, álcool e bebidas adoçadas com açúcar e alimentos processados sejam destinados à prevenção e ao tratamento de DNTs."

 

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Três temas principais surgiram dessas discussões: os impostos sobre a saúde, o envolvimento da comunidade e a defesa orientada por dados representam algumas das estratégias mais promissoras para o financiamento sustentável das DNTs. Os participantes também concordaram com a necessidade urgente de desenvolver ferramentas de casos de investimento e estudos comparativos para criar evidências mais sólidas e acelerar as reformas.

Avanço

Cada país saiu do workshop com os próximos passos bem definidos. A Somália comprometeu-se a fortalecer os sistemas de dados e a defesa de direitos; o Quênia priorizou a defesa do orçamento e as emendas à regulamentação do tabaco; Gana estabeleceu como meta o desenvolvimento de um caso de investimento em DNTs e a destinação de impostos para a saúde; Uganda concentrou-se em grupos de apoio a pacientes e seguro nacional; e Ruanda enfatizou a compra estratégica e o acompanhamento em tempo real.

Os membros da FAN também identificaram duas prioridades de aprendizagem conjunta: o desenvolvimento de ferramentas de casos de investimento em DNTs e a realização de análises comparativas do financiamento de DNTs adaptadas aos formuladores de políticas em toda a África. Ambas fornecerão as evidências necessárias para acelerar o progresso.

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Para apoiar os esforços dos países, os membros da FAN têm a oportunidade de solicitar subsídios catalisadores por meio do Fundo FAN. Esses recursos têm como objetivo semear abordagens inovadoras, apoiar programas promissores e dimensionar iniciativas que promovam o financiamento das DNTs.

A FAN continuará a acompanhar os países membros enquanto eles trabalham para desenvolver e implementar seus planos de ação nacionais, com aprendizado adicional presencial e virtual planejado para 2026 para sustentar o impulso e aprofundar o intercâmbio entre os países.

Conclusão

O workshop destacou a urgência e a oportunidade do financiamento da saúde para as DNTs na África Subsaariana. Embora as famílias e os doadores atualmente suportem o ônus, os países agora têm um menu de soluções para utilizar: Desde impostos sobre a saúde até financiamento baseado na comunidade e parcerias com o setor privado. Ao se comprometerem com o aprendizado conjunto e investirem em evidências sólidas, as nações africanas podem começar a fechar a lacuna de financiamento e garantir que os cuidados com as DNTs sejam acessíveis, equitativos e sustentáveis. 

Para saber mais, leia a íntegra do relatório do workshop.